Escolas a fechar


Não tive nunca o prazer de falar directamente com o Prof. Agostinho da Silva, mas um amigo comum – João Sousa Monteiro – contou-me um dia uma história absolutamente genial passada com aquele relacionada com a fundação da (creio eu) Universidade de Santa Catarina no Brasil.
Kubitsheck de Oliveira terá pedido a Agostinho da Silva que iniciasse diligências para fundar a dita Universidade. Agostinho da Silva reune a população local e pergunta-lhes o que querem que se faça. Uma universidade? -Não – respondem os locais – a gente precisava era de uma escola de costura e das máquinas para podermos obter algum rendimento com esta actividade. E foi isso que Agostinho da Silva fez; criou a Escola de Costura com o dinheiro para a Universidade. A escola foi um polo dinamizador e fixador de população. As máquinas precisavam de manutenção e bem depressa se criou uma escola de mecânica e uma fábrica de peças e foi preciso criar cursos de gestão para orientar a produção das peças costuradas e… em poucos anos se fez uma universidade com a plena adesão da população…a partir de uma escola de costura.
Daqui se tira, não uma moral, mas três: as escolas são pólos de desenvolvimento, só são se respondem, numa fase inicial, às necessidades directas das populações, as escolas iniciais produzem outras escolas com currícula mais complexos e portanto mais desenvolvimento.Fechar escolas é não acreditar no que atrás se disse, é, portanto, achar que a educação num País é cumprir um programa com uma gestão tipo aviário.
João Rangel de Lima
2006