Fórmula de cálculo do nível final dos exames do 9º Ano não se pode aplicar


Os exames nacionais do 9º ano ou uma lição prática de matemática: não se aplicam ponderações a níveis qualitativos…

O despacho normativo 1/2005 do Min. da Educação regulamenta a prova nacional do 9º ano que irá ter lugar neste próximo mês de Junho. Neste despacho indica-se a fórmula a aplicar para o cálculo do nível final. Só que há um problema… não se pode aplicar!

Com efeito no ponto 44 é apresentada uma fórmula para o cálculo da classificação final dos alunos do 9º ano, este ano já, sujeitos a provas a nível nacional (nos próximos anos estas provas estender-se-ão aos 4º e 6º anos de escolaridade):

                                           CF = (7 x Cf + 3 x Ce) / 10

CF é a classificação final, Cf é a classificação de frequência no finaldo 3º período e Ce é a classificação da prova de exame.

Se aplicarmos, como lá diz, a fórmula, à escala de níveis de 1 a 5, iremos criar situações de flagrante injustiça, dado que cada um dos níveis representa um intervalo largo de percentagens, sendo o nível 3 o pior, pois vai de 50% a 74%. Basicamente os níveis de 1 a 5 são qualitativos (mau, mediocre, suficiente, bom e muito bom).

Consideremos os casos:

1º caso

Aluno A: Classif. de freq. – 74%   Classif. de exame – 89%

Aluno B: Classif. de freq. – 50%   Classif. de exame – 50%

Aplicando a fórmula aos níveis, ambos os alunos obterão como classificação final nível 3, o que será uma flagrante injustiça para o aluno A (média final de 78,5%, aplicando a mesma fórmula às percentagens), se compararmos os seus resultados com os do aluno B (média final de 50%, aplicando a mesma fórmula às percentagens).

2º caso

Aluno A: Classif. de freq. – 45%   Classif. de exame – 74%

Aluno B: Classif. de freq. – 25%   Classif. de exame – 25%

Aplicando a fórmula aos níveis, ambos os alunos obterão como classificação final nível 2, ou seja reprovarão, o que é, mais uma vez, manifestamente injusto para o aluno A (média final de 53,7%, aplicando a mesma fórmula às percentagens).

Claramente o legislador aplicou uma fórmula idêntica à que se usa no Secundário sem pensar que, aí, a escala de classificação é de 0 a 20 valores.

Enviámos esta nossa análise à Sra. Ministra da Educação, ao Sr. Presidente da AEEP e ao Sr. Presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais em Janeiro de 2005.

Tudo isto se passou no ano passado, imaginem o nosso espanto quando soubémos que tudo se repetiria este ano.

Escrevemos à Srª Ministra a alertá-la novamente. Recebemos uma carta do Sr. secretário de Estado da Educação a dizer que não mudariam nada porque há um despacho a dizer que é assim.

Moral da história: Uma incorrecção do ponto de vista matemático deixa de o ser se um despacho assim o determinar.

Pitágoras, Euclides, Euler, Pascal, Godel…se estão a pensar renascer…deixem-se estar onde estão…

João Rangel de Lima

          2006