Internet nas escolas ou o governo no sofá de Freud


Algumas contas ou o(s) Governo(s) no sofá de Freud.

Tendo assentado a poeira à volta da Internet gratuita nas escolas e, especificamente, nas escolas privadas, é tempo de fazer algumas reflexões a propósito.

Em primeiro lugar será bom fazer algumas contas, inevitáveis, após a memorável prestação de Diogo Vasconcelos – o senhor da UMIC (Unidade de Missão(?) Inovação e Conhecimento) – no Canal 2 e na Sic Notícias no passado dia12. Diz o senhor e cito: “…as escolas particulares, repare, apenas 200 num universo de 16000…”. Mário Crespo na Sic Notícias contrapôs que as escolas particulares abrangidas seriam 900. O senhor insiste que são 200. Fixemo-nos então neste número – 200. O senhor continua a falar e diz que o que as escolas poderão gastar será qualquer coisa entre 5 e 10 contos por mês. Fiquemo-nos por 7,5 contos – cerca de 37,5 €. Calculemos então os gastos do Governo com as 16000 escolas:

16.000 x 37,5 €/mês = 600.000 €/mês

Calculemos agora o que o Governo poupou cortando o apoio às escolas privadas

200 x 37,5 € = 7.500 €/mês

Em termos anuais poderemos assim dizer que o Governo cortou numa despesa de 7.200.000 € (600.000 € x 12) – cerca de 1.440.000 contos – a quantia de 90.000 € ( 7.500 € x 12) – cerca de 18.000 contos. Em termos percentuais o Governo poupou 1,25% do montante inicial. Como exemplo de poupança para o País não é partircularmente forte, é como comprar um carro topo de gama e poupar nas borrachas do limpa para-brisas.

Temos então que a cortar despesas corta-se no ensino privado mesmo que seja uma ninharia. Temos ainda que, a fazer fé na carta que a AEEP (Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular) enviou a todos as escolas associadas, “…o Ministério da Educação decidiu assumir os custos das suas escolas”. É com um profundo sentimento de orfandade que registo a ruptura que o Ministério da Educação faz com as escolas privadas. Nós não somos as “suas escolas”. No entanto quando o Ministério da Educação precisou de nós (As Descobertas) para, com outras escolas privadas, organizar cursos de reciclagem para professores considerou-nos suas. Temos também que quando fez provas de aferição só para escolas públicas entregou os resultados 5 meses depois, quando, há dois anos, fez provas de aferição convidando escolas privadas (nós participámos), não entregou, até hoje, os resultados (dizem as más línguas que as perderam). Os nossos alunos (alguns já estão no 11º ano) ainda nos perguntam pelos resultados. Os trabalhos de investigação pedagógica que fornecemos não são divulgados (alguns pagos pelo próprio Ministério). Em resumo:apoiam-nos e deixam-nos cair, somos “suas” e não somos, convidam-nos mas tratam-nos mal, pagam-nos mas desprezam-nos. Há que encarar a verdade de frente, os sucessivos Governos têm uma relação neurótica com o ensino privado. Há que começar terapia!

João Rangel de Lima

2003