O que somos e o que não somos, cusquices e coscuvilhices


De vez em quando chegam-nos relatos de Pais e amigos sobre “o que se diz da nossa Escola”.
Achei por bem pôr um ponto final neste terreno tipicamente português das cusquices e coscuvilhices.

Somos:
Uma Escola que se baseia numa pedagogia activa em que o aluno é o agente da sua aprendizagem.
Uma Escola que fundamenta a sua actividade nas teorias de Jean Piaget sobre o desenvolvimento infantil.
Uma Escola que pratica a educação integrada; em todos os nossos grupos há crianças que carecem de apoio mais diferenciado.

Não somos:
Uma escola de “deficientes” (o que corria nos anos 70 e 80).
Uma escola “alegre” ( o que corria nos anos 80).
Uma escola de sobredotados ( o que corre agora).
Se fazemos provas de acesso é porque, infelizmente, não é minimamente consensual no nosso ensino o que significa concluir um ano de escolaridade. Há alunos que concluiram o 4º ano de escolaridade que nos aparecem sem saber quase escrever e sem saber resolver os mais simples problemas de matemática.
Somos uma escola exigente mas damos aos alunos na proporção. Uma escola que só exige e não dá é uma má escola.
Não somos competitivos. O nosso método (open-classroom e trabalho em sub-grupos) fomenta a cooperação.
Os alunos que nos aparecem e que são competitivos, são-no porque os Pais o são. Esses alunos e respectivos Pais, ou mudam, ou acabam por sair, ao descobrirem que estavam na Escola errada.
Nunca convidámos a sair alunos que não aprendem. Convidamos a sair ou decidimos mesmo a saída dos alunos que são mal-educados (muito mal-educados) para com os Professores e Pessoal Não Docente e fortemente disruptivos das regras da comunidade escolar. Em quase 40 anos de existência, tal só aconteceu com dois alunos.

Espero, assim, ter estancado as cusquices e as coscuvilhices.

João Rangel de Lima

2013