Sessão solene

2017-09-11 - Sessão solene (170x128)

Ontem de manhã, no campo de jogos, realizou-se a sessão solene de abertura do ano letivo. A cerimónia iniciou-se com o discurso da Leonor. Seguiu-se um momento musical com todos os presentes, orientado pelo Carlos e pela Fernanda. Depois foi a vez do discurso da Balhó. De seguida houve a passagem das chaves de ano do 1.º ciclo: a Maria A., do 5.º ano, entregou a chave do 4.º ano à Mafalda R.; a Mafalda, por sua vez, entregou a chave do 3.º ano ao João M.; O João entregou a chave do 2.º ano ao Manuel F. e o Manuel entregou a chave do 1.º ano ao Manuel A. Depois foi a vez da Mafalda G., do 6.º ano, se dirigir aos colegas do 5.º ano sobre a experiência que os espera neste novo ano letivo e do Manuel S., do 8.º ano, falar para os colegas do 7.º. Uma ex-aluna, Madalena Pereira, finalista de 2009, falou da importância da sua experiência n’As Descobertas para o seu futuro como aluna do ensino secundário e superior. A mãe de um ex-aluno, Sandra Prata, falou da experiência de ter um filho a estudar no Externato (o Tomás esteve na escola entre o 5.º e o 9.º ano, de 2012 a 2017). A cerimónia encerrou-se com o discurso do António.

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2017-09-11 - Sessão solene

Discurso da Leonor:

Bom dia, bem vindos a mais um ano letivo de “As Descobertas”.
Para quem como eu que já trabalha como educadora há muito tempo e que há 17 anos é corresponsável pela direção deste externato ocorre-me de há vários anos para cá o mesmo pensamento:
Como tudo passa tão depressa e como me reconforta saber que os nossos alunos cresceram, são jovens, adultos, seguiram os seus caminhos e como gostei de, a certa altura, ter participado e ajudado nesse percurso.
E, sobretudo, como passado tanto tempo, como eu gosto disto tudo.
Os tempos são outros, nem melhores nem piores, somente diferentes:
Tudo é mais rápido, os resultados são de preferência para ontem, ainda não se saboreou uma conquista e já se parte para outra, a superação a todos os níveis e a todo o momento instalou-se.
Mas como me tranquiliza e alegra saber que, nós, como escola, e embora estejamos atentos aos tempos, continuamos a defender a acreditar e a praticar o que para nós é fundamental e que nos norteia desde o início:
-construirmos relações de confiança entre todos
– contarmos uns com os outros sempre
– aprendermos em grupo a sermos autónomos, responsáveis, criativos, curiosos e solidários
– Mantermos um ambiente familiar onde o afeto, o respeito, o acreditar sempre nos outros e nas suas capacidades, mantendo, desenvolvendo e estimulando as suas diferenças, ensinando a saber parar, esperar e refletir para agir, mantendo momentos de consolidação do apreendido e de questionamento do vivido
são as mais valias que continuam a pautar uma escola de qualidade onde se atende ao indivíduo, onde se partilha e onde se constrói em grupo saberes e valores e, sobretudo, onde somos felizes.

Obrigada a todos por mais um ano e por fazerem parte da minha vida.
Bom ano!

Discurso da Balhó:

Bem-vindos, mais uma vez, depois deste momento musical!
É tão bom sentirmos a magia da música, o que acontece quando a partilhamos, o que nos toca, nos aproxima, nos faz felizes, – como dizia um destes dias a nossa colega Fernanda, de Música.
E é a esta relação com os outros, à empatia que criamos, ao estar com o outro, que damos muita importância.
Ao reconhecer a responsabilidade que temos perante os outros com quem contactamos,
ao sermos sensíveis ao outro,
ao aprendermos a ler o outro numa relação face a face,
ao conseguirmos sentir com o outro,
ao podermos entender a diferença de uma forma inclusiva,
ao sabermos aprender e construir com o outro.
Porque a formação para a qual queremos contribuir é a que procura, face aos problemas atuais, desenvolver atitudes abertas e não visões rígidas;
é a que fomenta o gosto por aprender;
o gosto por pensar, entrando em diálogo connosco próprios;
a que desenvolve uma visão crítica daquilo que nos rodeia, permitindo a construção de um caminho próprio.
A formação para a qual queremos contribuir é a que nos permite partir para o que quisermos fazer na vida.
Como afirma o professor Eduardo Lourenço, “o saber é cada vez mais universal e, no entanto, isso não corresponde a uma Humanidade mais humana e mais sábia”.
E assim, acreditamos que podemos ser mais humanos,
que podemos modificar positivamente,
que podemos encontrar equilíbrios que acompanhem as transformações destes tempos, ou seja,
que podemos “agir localmente”
e para isto, contamos, como sempre, com todos!
Para terminar, deixo-vos com uma frase de Hannah Arendt em que ela nos diz que “a cultura é algo que define a nossa relação com o outro. Cultura significa que o outro também pode ter razão.”
Desejo-vos um bom ano letivo, com muita cultura.
Obrigada!

Discurso do António:

Cada começo é uma mudança* …
Existe a novidade do arranque, do início, da inauguração, do primeiro dia, do primeiro abraço aos amigos, da primeira aula, dos sons, das imagens, dos cheiros…
Mas, se é natural criar e começar algo, talvez o mais difícil de tudo seja continuar com ações que permitirão manter ativo o que se criou e começou.
Manter vivo um processo orgânico, complexo é e será sempre um desafio. Daí a necessidade de, para além da iniciativa, prosseguir com perseverança, mas também com prudência, com estratégia, com método – passo a passo, na ordem correta e retroceder se for preciso. A ação educativa terá de ser sempre reflexiva para que possibilite consolidar aprendizagens e criar conhecimento.
Da iniciativa ao objetivo que se pretende atingir vai um longo caminho, nem sempre linear, por vezes, até, com alguns “recuos estratégicos”. Há que salvaguardar princípios e ensinamentos, experiências e a partilha das mesmas. Há que ter sempre presente os objetivos de melhoria – de cada um e do todo e, ainda, o que cada um pode fazer pelo todo.
Podemos fazer de uma dificuldade um desafio e a partir deste construir uma estratégia. Contudo, não se pode, não se deve iniciar com qualquer coisa, de qualquer maneira, sem os meios, sem um rumo, sem um fim e muito menos sem uma motivação.
Podemos construir um “edifício” em meia dúzia de anos, mas teremos de nos preparar para o manter durante muitos mais, por vezes séculos ou milénios. Manter e preservar são ações difíceis e terão de estar presentes em cada um de nós. Passam pelo respeito que teremos de demonstrar, mas também será preciso estudar, aprender e reconhecer a sua importância – com naturalidade passar as nossas experiências às gerações vindouras.
As experiências, terão de ter sentido para habilitar as novas gerações de modo a responder aos desafios da sociedade. Há que incentivar o desejo de desenvolvimento contínuo, preparar pessoas para transformar algo.
A aprendizagem ocorre quando compartilhamos experiências e promovemos o intercâmbio de pensamento, quando ajudamos os nossos alunos a compreender as coisas mais complexas e quando lhes damos tarefas com objetivos bem definidos.
Não há separação entre vida e educação, esta deve preparar para a vida, promovendo o seu constante desenvolvimento. Preparação e vivências só poderão estar a ocorrer simultaneamente.
Assim, concluo: O objetivo da escola deverá ser o de ensinar os nossos alunos a viver no mundo. Prepará-los para fazer as suas opções de vida.
*inspirado nas crónicas de Miguel Esteves Cardoso e no pensamento de John Dewey